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Belém, 11 de novembro — No segundo dia da COP30, o ativista José Carlos Armelin, do projeto Pedal Sustentável, apontou uma situação preocupante em relação ao acesso de ciclistas à chamada Green Zone (Zona Verde), área aberta ao público, estudantes e visitantes do evento climático global.
Segundo Armelin, a Zona Verde — conhecida internacionalmente como Green Zone — é uma área de exclusão para o transporte ativo, especialmente bicicletas. “Fui até lá pessoalmente, e realmente não há acesso para ciclistas. O pessoal da organização está orientando para que ninguém vá de bicicleta, porque não deixam entrar e nem é permitido amarrar perto. Não pode”, afirmou.
A restrição, segundo ele, afeta diretamente entre 17% e 20% da população de Belém, que utiliza a bicicleta como meio de transporte diário. “É uma exclusão injustificável, ainda mais em um evento que fala de sustentabilidade. A Zona Verde deveria ser exemplo de inclusão, não o contrário”, criticou.
Armelin destacou ainda que, na Blue Zone (Zona Azul), existem cerca de 60 vagas disponíveis para bicicletas. No entanto, a distância entre as duas áreas é de quase dois quilômetros. “Se o visitante deixar a bicicleta na Zona Azul, terá que caminhar um quilômetro e meio até a Zona Verde. É inviável”, completou.
Ele encerrou pedindo sensibilidade e ação rápida dos organizadores da COP30 para corrigir a situação. “Tomara que os dirigentes consigam reverter isso a tempo e melhorem a imagem da Zona Verde, que é de extrema importância”, concluiu.
Moradores locais também reclamam
Moradores de Belém também têm manifestado sentimento de exclusão diante das restrições impostas ao acesso de bicicletas na Green Zone da COP30. A medida, que impede ciclistas de entrarem ou mesmo estacionarem seus veículos nas proximidades, tem sido criticada por ir na contramão dos princípios de sustentabilidade e mobilidade ativa que o próprio evento defende.
Entre os moradores afetados está o escritor, ativista ambiental e ciclista Paulo PC, que relatou não ter conseguido acessar a Zona Verde com sua bicicleta. “É contraditório ver um evento mundial sobre meio ambiente e sustentabilidade restringir justamente o uso de um transporte limpo, acessível e popular. Muitos de nós, moradores de Belém, esperávamos poder participar ativamente e nos deslocar de forma sustentável até o evento”, lamentou.
Assim como José Carlos Armelin, do projeto Pedal Sustentável, Paulo PC reforça que a exclusão dos ciclistas locais simboliza uma falha de coerência entre o discurso e a prática. Ambos defendem que a organização da COP30 revise as regras de acesso, garantindo condições adequadas e seguras para o uso da bicicleta — não apenas como meio de transporte, mas como símbolo de compromisso real com o futuro sustentável que o evento propõe.
Da Redação
Foto : JCA